Taxa Municipal Turística no Alojamento Local: guia prático (com valores por município)
Valores oficiais por município (Lisboa €4, Porto €3, Loulé sazonal…), isenções reais, o que o Airbnb e a Booking fazem — e o que continua a ser contigo. Verificado a julho de 2026.
A Taxa Municipal Turística (TMT) não é uniforme em todo o país. Cada município define o seu próprio valor, isenções, teto de noites e prazos — e muda-os quando entende. Se tens AL em mais do que um concelho, precisas de verificar as regras de cada um separadamente.
Regra de ouro: o único documento vinculativo é o regulamento da taxa do teu município. Esta página dá-te os valores verificados e as fontes oficiais — mas quando houver dúvida, manda o regulamento.
O que é a TMT e quem a paga
A TMT é cobrada por hóspede e por noite (com variações de formulação conforme o município). Quem a paga é o hóspede; tu cobras e entregas à câmara. O dinheiro nunca é teu — és o intermediário. Este detalhe simples explica quase tudo o resto: porque tens de declarar mesmo quando uma plataforma cobra por ti, e porque a taxa não entra no teu rendimento (já lá vamos).
Os valores em 2026, município a município
Valores verificados a 13 de julho de 2026 contra os regulamentos e páginas oficiais de cada câmara — as fontes estão no fim do artigo e em cada página de município:
| Município | Valor | Quando se aplica | Teto de noites | Menores isentos | Em vigor desde |
|---|---|---|---|---|---|
| Lisboa | €4 por noite | Todo o ano | 7 por estadia | < 13 anos | set 2024 |
| Porto | €3 por dormida | Todo o ano | 7 por estadia | < 13 anos | dez 2024 |
| Cascais | €4 por dormida | Todo o ano | 7 por pessoa | < 13 anos | jan 2025 |
| Albufeira | €2 por dormida* | Abril a outubro | 7 por estadia | < 13 anos | mai 2024 |
| Loulé | €1 época baixa / €2 época alta | Baixa: nov–mar · Alta: abr–out | 5 por estadia | < 16 anos | nov 2024 |
| Lagos | Sem TMT em vigor (à data de julho de 2026) | — | — | — | — |
* Albufeira tem uma revisão do regulamento em curso em 2026 — o valor pode mudar (detalhe mais abaixo).
Três notas que evitam erros caros:
- Cascais já não é sazonal. A antiga estrutura de €1/€2 caducou; desde janeiro de 2025 o valor é único: €4 por dormida. Quem ainda cobra o valor antigo está a cobrar mal.
- Loulé é o diferente do grupo: teto de 5 noites (não 7) e isenção até aos 16 anos (não 13). Aplica-se em todo o concelho — Vilamoura, Quarteira e Almancil incluídos.
- Lagos não tem taxa. Alguns sites publicam valores de €2/€1 para Lagos — são do município vizinho de Lagoa, de nome quase igual. À data de julho de 2026, não existe nenhum regulamento de TMT de Lagos publicado. Se isso mudar, é exatamente o tipo de novidade que o Radar da ALerta te traz primeiro.
Como calcular
TMT devida = valor por noite × noites sujeitas × hóspedes sujeitos à taxa
Dois detalhes que geram erros frequentes:
- Teto de noites: todos os municípios da tabela limitam a cobrança (5 ou 7 noites). A formulação varia — "por estadia", "noites seguidas", "por pessoa" — por isso confirma no regulamento do teu concelho. Em nenhum caso o teto é por mês.
- Hóspedes isentos: desconta-os antes de multiplicar.
Isenções: as verdadeiras, não as genéricas
Além dos menores (13 ou 16 anos, conforme a tabela), os regulamentos preveem isenções específicas — estas são as que constam dos textos oficiais dos seis municípios:
- Motivos médicos: estadias para tratamento, com acompanhante (Lisboa: um acompanhante; Porto: até dois; Albufeira: um).
- Incapacidade: no Porto, hóspedes com incapacidade igual ou superior a 60% (e até dois acompanhantes).
- Estudantes: em Lisboa, estudantes e bolseiros no início do ano letivo, até 60 dias.
- Peregrinos: no Porto, a primeira noite.
- Realojamento: determinado por entidade pública (Lisboa e Porto).
- Dormidas oferecidas: em Cascais, estadias gratuitas oferecidas pelo operador, até 5% do total.
- Força maior e internamento hospitalar durante a estadia (Loulé).
Guarda sempre o comprovativo de cada isenção aplicada — no check-in, não depois. Sem documento, para a câmara a isenção não existiu. E atenção: as isenções mudam quando o regulamento muda — vale a pena subscrever o blog (lá em baixo) para apanhares essas revisões.
Airbnb, Booking e a taxa: quem faz o quê (verificado a julho de 2026)
Aqui é onde mais gente se engana, por isso vamos por partes:
- O Airbnb cobra E entrega a taxa apenas em Lisboa e no Porto. São os únicos municípios portugueses com acordo de cobrança e entrega automáticas, segundo a documentação oficial da própria Airbnb. Em todos os outros concelhos, a plataforma não trata de nada.
- Mesmo em Lisboa e no Porto, a declaração continua a ser tua. O acordo dispensa-te de entregar o valor — não de declarar. As dormidas reservadas via Airbnb entram na tua autoliquidação no total do período e são abatidas no campo 4 («Outras regularizações — dormidas pagas por intermediários turísticos»), tanto na plataforma de Lisboa como na do Porto. Quem não declara porque "o Airbnb trata disso" está em incumprimento.
- A Booking.com não entrega a taxa em lado nenhum de Portugal. Mas atenção à nuance: nas reservas pagas através da própria Booking (Payments by Booking.com), a plataforma cobra a taxa por pessoa ao hóspede — mesmo que a tenhas configurado como excluída — e envia-te o valor no payout. A entrega à câmara continua a ser 100% tua. Nas reservas pagas no alojamento, cobras tu diretamente ao hóspede.
- Fora de Lisboa e Porto: cobrança e entrega são sempre tuas, seja qual for a plataforma.
Como declarar e entregar à câmara
O modelo comum é a declaração periódica (mensal ou trimestral, conforme o município) na plataforma da câmara:
- Agrega todas as estadias do período — hóspedes, noites, isenções, incluindo reservas diretas
- Preenche a declaração na plataforma municipal
- Paga dentro do prazo
- Guarda o comprovativo e a declaração submetida
Particularidades confirmadas nos seis concelhos: cada câmara tem a sua plataforma própria de declaração; em Loulé a declaração é mensal, até ao dia 15 do mês seguinte, mesmo quando é a zeros; em Lisboa, Porto e Loulé o operador retém 2,5% do valor cobrado a título de comissão de cobrança (em Albufeira, a compensação só está prevista para depois da revisão do regulamento). Os dados que declaras — hóspedes e noites — são os mesmos que já comunicas no SIBA: se os dois não baterem certo, é sinal de que algo está a escapar.
Quando o regulamento muda a meio do ano
Não é hipótese académica — está a acontecer agora:
- Albufeira iniciou em fevereiro de 2026 a revisão do seu regulamento. À data deste artigo, não há novo regulamento publicado — o valor continua a ser €2 (abril a outubro) — mas a plataforma de declaração migrou em abril de 2026: quem não se registou na nova plataforma deixou de conseguir declarar. Duas mudanças no mesmo ano, nenhuma delas anunciada com grande alarde.
- Cascais trocou a taxa sazonal por um valor único de €4 — quem seguiu listas desatualizadas passou 2025 a cobrar metade.
Desde o DL 76/2024, a regulação do AL vive cada vez mais ao nível municipal — e os regulamentos das taxas mudam pelo mesmo caminho silencioso. Estar atento a seis câmaras já dá trabalho; a quem tem AL em vários concelhos, dá um emprego.
TMT e IRS: o ponto que mais confunde
A TMT não é rendimento teu — passa por ti a caminho da câmara. Não deve inflacionar o teu rendimento bruto no regime simplificado, nem entrar nas contas como se fosse alojamento.
Como discriminar a taxa na faturação depende do teu enquadramento e de como cobras (diretamente, via plataforma, com ou sem entrega automática) — é exatamente o tipo de detalhe para resolver com o teu contabilista, não com um artigo de blog. O que este artigo te garante é o princípio: dinheiro da TMT não é receita tua.
Erros mais comuns
| Erro | Como evitar |
|---|---|
| Aplicar a taxa de outro município | Verifica o regulamento do concelho do imóvel (Lagos ≠ Lagoa!) |
| Cobrar valores desatualizados | Confirma o valor em vigor a cada temporada (Cascais é o exemplo) |
| Ignorar o teto de noites | 5 ou 7 noites, conforme o concelho — nunca por mês |
| Não documentar isenções | Regista no check-in, guarda o suporte |
| Incluir a TMT no rendimento tributável | É um passivo — não é teu |
| Assumir que a plataforma trata de tudo | Airbnb só entrega em Lisboa/Porto; a Booking cobra mas nunca entrega |
Lista de verificação — antes de cada declaração
- Reuni todas as reservas do período (incluindo reservas diretas)
- Documentei todas as isenções aplicadas
- Calculei a TMT com o valor e teto corretos do meu município
- Verifiquei o que a plataforma cobrou em meu nome (e o que entregou, se em Lisboa/Porto)
- Submeti a declaração dentro do prazo (mesmo a zeros, onde aplicável)
- Paguei e guardei o comprovativo
- Confirmei com o contabilista o tratamento da taxa na faturação
É aqui que a ALerta entra
Este artigo ficou correto no dia em que foi verificado — 13 de julho de 2026. O problema é que os regulamentos municipais não avisam quando mudam: Albufeira reviu a plataforma e está a rever o valor, Cascais trocou a estrutura da taxa, e Lagos pode aprovar uma TMT no próximo trimestre sem que dês por isso.
O Radar da ALerta faz essa vigilância por ti: seguimos os regulamentos dos municípios onde tens alojamentos e avisamos-te quando um valor, uma isenção ou uma plataforma muda — antes de cobrares mal a um hóspede ou falhares uma declaração. Junta-te à lista de espera.
Fontes
- Lisboa — Aviso n.º 18684/2024/2 (regulamento, €4) — lisboa.pt · Instruções de comunicação da TMT (campo 4) — lisboa.pt
- Porto — Regulamento n.º 1387/2024 (€3) — Diário da República · Taxa Municipal Turística do Porto — cm-porto.pt · Normas de preenchimento da plataforma — cm-porto.pt
- Cascais — Regulamento da taxa turística (€4 único) — cascais.pt · Aviso n.º 28274/2024/2 — Diário da República
- Albufeira — Regulamento n.º 488/2024 (€2, abril–outubro) — Diário da República · Nota informativa sobre a revisão e a nova plataforma — cm-albufeira.pt
- Loulé — Taxa Municipal Turística — cm-loule.pt · FAQ da taxa — cm-loule.pt
- Lagos — anúncio de elaboração do regulamento (2019, nunca concluído) — cm-lagos.pt
- Airbnb — recolha e entrega de taxas de ocupação em Portugal (Lisboa e Porto)
- Booking.com — IVA e taxas locais (documentação para parceiros)